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As mulheres e a política do dia a dia

Daniela Peixoto Ramos. Brasília: Edições do Demodê, 2021.

Disponível como e-book.

Este livro analisa como papéis de gênero, em interação com as clivagens de classe e idade/geração, moldam formas de pensar e se inserir politicamente. A desigualdade de gênero marginaliza as mulheres no acesso a recursos políticos e as leva a desenvolver representações e vivências da política distintas das masculinas. A pesquisa captou representações sobre gênero e política por meio de entrevistas qualitativas com mulheres e homens residentes em bairros de classe média e popular no Distrito Federal. A partir deste estudo de caso, analisaram-se ideias sobre gênero que estão na base dos discursos sobre política e variações que podem ser atribuídas a gênero (e à combinação entre gênero, classe e idade/geração) nas formas de pensar e vivenciar a política de mulheres e homens. O conceito de política do cotidiano – da política praticada nas interações do dia a dia, em espaços não convencionalmente chamados de políticos – é o que mais se aproxima da visão de política que muitos da/os entrevistada/os nutrem: a política baseada em representações e critérios morais. A importância da socialização de gênero para o entendimento de como se articulam os discursos políticos fica evidenciada pela forma como a casa e a política se interrelacionam, isto é, como papéis e valores familiares/morais são usados para pensar a política. Os princípios de gênero da divisão sexual do trabalho são guias não apenas para relações familiares, mas para todo o mundo social. Como consequência, a participação política das mulheres é vista sob a lente de estereótipos, relacionados a uma suposta superioridade moral decorrente da maternidade. A socialização de gênero, em conjunção com o funcionamento do campo político, podem explicar a produção e disseminação de desigualdades que continuam, por meio de mecanismos que são revelados pelos discursos, a se reproduzir e a prejudicar as mulheres.